BLOG CARLOS RIBEIRO

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domingo, 17 de agosto de 2014

Quero que a Mocidade seja a grande campeã do Carnaval’, diz Claudia Leitte...

Fonte: O DIA - LeoDias com Fábia Oliveira e Luana Rossi
 
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação


Há muito tempo o carnaval carioca não tinha uma rainha de bateria com tamanha fama e popularidade. Pela primeira vez na história, um dos ícones do Carnaval baiano vai desfilar à frente de uma bateria de escola de samba no Rio. E é com enorme prazer que a primeira entrevista da nova rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel é aqui na coluna. Com vocês, aquela que vai parar a Marquês de Sapucaí em 2015: Claudia Leitte.
 
 
O que você achou da repercussão sobre seu reinado à frente da bateria da Mocidade?

 Foi incrível. Eu não vi muita coisa porque estava em Orlando, mas, pelo que soube pela minha mãe, fãs e amigos, me pareceu uma coisa avassaladora. Eu fico imaginando esse retorno do público pessoalmente. Preciso experimentar isso. Penso naquele momento antes da coroação, em que toda a comunidade está na quadra mandando aquela energia. É uma emoção muito grande, eu não tenho nem noção do que vai acontecer. Tudo o que a gente vê pela televisão é tão diferente… Eu lembro que assisti a um desfile das campeãs que fiquei toda emocionada. Imagine eu lá na frente da bateria? Vou ter que me segurar na Avenida.
 
 
 
Você já tinha recebido outros convites para ser rainha de bateria?
Sim, já recebi sim.
 
 
 
E por que o sim só veio agora com a Mocidade?


 Foi cronologia mesmo. Primeiro porque me senti muito tentada e eu comecei a lutar para que isso acontecesse. Então, podemos dizer que partiu do meu desejo. Quando eu vi que rolaria a conciliação com o Carnaval de Salvador, que eu jamais poderia deixar de estar, e que estava havendo uma comoção para a coisa dar certo, fiquei muito feliz. A cronologia me favoreceu! Então, não havia mais nada que me impedisse de verdade. O projeto da Mocidade é incrível, o tema é lindo e eu já tinha visto que (o carnavalesco) Paulo Barros estava na escola. Sou fascinada pelo lúdico e sempre fui apaixonada pelo Carnaval do Rio. A Mocidade tem uma energia indescritível e incomparável. Juntei tudo isso e vi que era um sinal para eu aceitar. Na verdade, foram vários sinais (risos).
 
 
 
Você acha que a questão do samba-enredo falar sobre o fim do mundo e de você já ter uma música gravada sobre o tema foi importante?

 Sem dúvida. Eu tenho duas músicas que falam dessa temática que o enredo vai abordar. Então, eu acredito muito que as coisas não são casuais. Elas acontecem na hora certa e eu acho que foi a oportunidade mais linda que recebi. Foi um presente para a minha vida poder conciliar o Carnaval de Salvador com o do Rio. Eu nasci em São Gonçalo (região metropolitana do Rio) e a Bahia me criou (risos). Então, eu estou podendo fazer essas duas coisas ao mesmo tempo de uma forma tão incrível. Assim como o tema, eu vou viver cada dia como se não houvesse amanhã. É um momento singular. É uma das coisas que eu mais queria fazer na vida e, sem dúvida, é a realização de um sonho.
 
 
 
Você tem alguma referência como rainha de bateria? Pode ser aquela que desde menina você achava um símbolo…


Eu lembro, sim. Meu pai falava sempre de Luiza (Brunet) e de Monique (Evans). Eu as tinha como referência de beleza, de feminilidade, de sensualidade e de Carnaval também. Mas eu sou muito apaixonada por Viviane (Araújo). Acho que ela é ícone de brasilidade. Tem Sabrina (Sato) também
 
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Você já pensou em como você gostaria que fosse sua fantasia?

 Eu acho o máximo a fantasia tradicional, mas eu vou construir isso com a escola. Vou começar a conversar com Paulo (Barros) sobre o assunto, ver o que ele acha e quais opções teremos dentro dessa temática. Minha preocupação é fazer com que a escola brilhe. Quando trabalho no Carnaval de Salvador, estou ali muito feliz. Nunca me senti como artista no Carnaval. Na verdade, eu via o público como o grande artista. Eu vou levar isso para a Mocidade, quero que a comunidade toda esteja feliz. Quero servir à comunidade. O que Paulo e o Rogério (Andrade, patrono da escola) decidirem, o que o povo quiser que eu faça, vou fazer. Quero que a Mocidade seja a grande campeã do Carnaval. Independentemente de qualquer coisa, quero que ela tenha um grande desfile. Farei com o maior amor.
 
 
 
O baiano samba diferente do carioca? Como é que você samba?

 Acho que não. Eu tenho um pouquinho das duas coisas, porque metade da minha família é carioca e a outra, baiana. Lá em São Gonçalo, eu ia para boate She-ra’s para sambar. Mas também sei sambar como baiana. Na verdade, eu acho que a gente é brasileiro, sabe? A mulher brasileira tem uma coisa que é dela, nata. Você tem samba no pé e tem aquele traquejo… Está tudo falando a mesmo língua.


 
Claudia Leitte 1

 
Sua agenda está muito puxada. Como você se prepara para dar conta dessa rotina?

 Eu estive numa convenção de zumba, que concilia a dança com o fitness. Há uns dois anos, começamos esse trabalho porque eu preciso ter um condicionamento físico impecável. Já estou habituada com isso, são seis horas puxando um trio elétrico. Essa última semana foi bem intensa de compromissos. Fiquei praticamente 26 horas sem dormir. Mas acho que Deus me fez com esse corpo, com esse condicionamento e essa disposição para fazer justamente o que eu faço. Eu malho muito, tenho disciplina, dedicação, empenho, mas o principal é que sou muito realizada. Amo fazer o que faço. Nunca vou conseguir ficar sem cantar na minha vida, sem criar, sem dançar, sem compor e sem sambar. Ainda tenho que sambar muito. Nasci para estar no palco. As outras coisas são muito importantes! A dança me faz feliz, me dá condicionamento e preparo, mas posso dizer que meu corpo foi feito para isso. Deus me mandou para ser aquela cantora atleta para fazer milhões de coisas ao mesmo tempo.
 
 
 
Então, você vai ter uma preparação física específica para o Carnaval?

 Eu já faço e vou fazer de novo. Quero começar agora no final de agosto, e ficar focada no Carnaval. Além de estar condicionada no Carnaval, eu quero estar muito bem e muito bonita fisicamente. Quero trazer algo diferente, estou disposta a lidar com isso com mais disciplina do que o normal.
 
 
 
Você é muito dedicada quando o assunto é trabalho, né?

 Muito. Eu preciso disso para viver. É uma condição de vida para eu ser feliz! É por isso que eu canto. Acho que até quando eu estiver muito coroa vou arrumar um jeito de fazer música. Preciso estar envolvida nisso de alguma forma, mesmo quando não tiver mais essa disposição física toda.
 
 
 
Você assinou contrato com a gravadora do rapper Jay Z, a RocNation. O que o seu público pode esperar?

 Estou trabalhando com eles o meu primeiro álbum em inglês. A RocNation passou a administrar minha carreira junto com o meu escritório em São Paulo. É uma expansão. As pessoas falam muito em carreira internacional, mas nunca vi dessa forma. Encaro como uma extensão do que eu já faço. Não sou do tipo que gosta da zona de conforto; curto a reinvenção. A história de receber aplausos e reconhecimento nunca foi meu alvo e nem é a coisa mais importante para mim, mas sim a minha superação. Quero fazer o que me leve a conhecer outras coisas, que me teste. Sempre gostei disso. A Copa do Mundo não estava nos meus planos. Deus foi mexendo os pauzinhos e isso só veio fortalecer. As pessoas gostam da ideia de uma cantora brasileira. Eu não preciso me internacionalizar para fazer uma carreira lá fora.
 
 
 
Quando esse álbum vai ser lançado?


 Eu não posso dar muitos detalhes sobre isso. Se eu falo, a galera me mata (risos).
 
 
 
E filhos, Claudia? Você quer ter mais?


 Eu penso sim.
 
 
 
Tem tempo para isso?

 Não sei ainda para quando, mas tenho tempo sim. Ainda mais para fazer aquela brincadeira lá (risos). Eu não estou fazendo muita matemática, não. Planejei Davi para dois anos depois de casada e ele veio antes. Planejei Rafael para dois anos antes e ele veio dois anos depois. Eu estou muito acelerada agora, Rafael fez 2 anos essa semana. Amo estar com eles, outra criança agora iria me tirar o foco de curtir essa fase do Rafael e do Davi. Acho que Deus tem hora certa para tudo. Quando Ele quiser, vai mandar o menino ou a menina para me fazer feliz. Eu tenho certeza.
 
 
 
Manda um recado para os seus fãs de Salvador, que podem ter receio da sua vinda para o Carnaval do Rio.


 Eu estou muito feliz e acho que todos os meus fãs também estão. Eles se manifestaram muito orgulhosos com tudo isso que eu estou fazendo. Eu quero fazer pela escola, estou sentindo já essa coisa da comunidade me abraçando e eu quero abraçá-los de volta. Acho que de todos os lados, de ponta a ponta do meu país, estão me apoiando. Vou retribuir meu amor sambando naquele lugar tão mágico e também no meu bloco, com uma energia incomparável. Acredito muito na força da comunidade de Padre Miguel, quero abraçar o povo naquela quadra, quero todos próximos a mim. Sempre fui amada pelo povo, estou na maior expectativa. Meu primeiro grande show foi há seis anos, em Copacabana, quando comecei minha carreira solo. Tinha mais de um milhão de pessoas na minha frente. Sou muito agraciada e abençoada. Vou fazer o melhor Carnaval, vou puxar o bloco Largadinho com toda energia e vou estar toda trabalhada na rainha de bateria.

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