BLOG CARLOS RIBEIRO

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

1º DE MAIO – DIA DO TRABALHO...

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Desde o fim do século XIX, nos Estados Unidos da América, no Brasil e em vários outros países ocidentais, o dia 1º de maio é tido como o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Tal data foi escolhida em razão de uma onda de manifestações e conflitos violentos que se desencadeou a partir de uma greve geral. Essa greve paralisou os parques industriais da cidade deChicago (EUA), no dia 1º de maio de 1886. Para compreendermos os motivos que levaram os trabalhadores a tal greve e o porquê da escolha desse dia como marco de memória, é necessário conhecer um pouco do contexto do período.
Sabemos que, durante o século XVIII, ocorreu, em solo inglês, um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade: a Revolução Industrial. Da Inglaterra, o processo de industrialização alastrou-se, inicialmente, pela Europa e, depois, para outros continentes, como o americano. Uma das consequências mais patentes da Revolução Industrial foi a formação de grandes centros urbanos, fato que gerou, consequentemente, uma grande concentração de pessoas em seu entorno, sobretudo de operários, cujo trabalho nutria as indústrias.
A formação da classe operária demandou uma série de necessidades que nem sempre era efetivamente cumprida pela burguesia industrial. As horas trabalhadas eram, muitas vezes, excessivas e a relação entre empregado e empregador nem sempre era amistosa. Nesse contexto, surgiram os sindicatos e os movimentos de trabalhadores, orientados por ideologias de esquerda, como o anarquismo (anarcossindicalismo) e o comunismo.
A principal forma de ação das organizações de trabalhadores com vistas à exigência de direitos era a greve. A greve geral tornou-se um instrumento de pressão frequentemente usado. Entretanto, às greves também se juntavam outras práticas, como a ação direta, que consistia em manifestações violentas. A greve geral de 1º de maio de 1886, em Chicago, resultou em forte repressão policial. Tal repressão estimulou ainda mais manifestações que transcorreram nos dias seguintes.
No dia 04 de maio, em uma manifestação na praça Haymarket, na cidade referida, uma bomba explodiu matando sete e ferindo dezenas de pessoas, entre policiais e manifestantes. A explosão de tal bomba provocou o revide dos policias com tiros sobre os manifestantes. Outras dezenas de pessoas morreram na mesma praça. Esse conjunto de eventos, desencadeados a parir de 1º de maio, tornou-se símbolo para as manifestações e lutas por direitos trabalhistas nas décadas seguintes em várias partes do mundo.
No caso específico do Brasil, a menção ao dia 1º de maio começou já na década de 1890, quando a República já estava instituída e começava um processo acentuado do desenvolvimento da indústria brasileira. Nas duas primeiras décadas do século XX, começaram a formar-se os movimentos de trabalhadores organizados, sobretudo em São Paulo e no Rio de janeiro. Entre esses movimentos, também figuravam ideologias como o anarcossindicalismo, de matriz italiana, e o comunismo.
Em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas. A força que o movimento dos trabalhadores adquiriu era tamanha que, em 1925, o então presidente Arthur Bernardes acatou a sugestão que já ventilava em várias partes do mundo de reservar o dia 1º de maio como Dia do Trabalho no Brasil. Dessa forma, desde esse ano o 1º de maio passou a ser feriado nacional. Na época do Estado Novo varguista, a data era deliberadamente usada para eventos de autopromoção do governo, com festas para os trabalhadores e muitos discursos demagógicos.



A presidenta Dilma Rousseff não fará pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão nesta sexta-feira (1º), Dia do Trabalho. A decisão foi tomada na reunião de coordenação política do governo no início da noite de segunda-feira (27). Será a primeira vez que a presidenta não fará o pronunciamento na TV no Dia do Trabalho, em seu quinto ano de governo. Medida certa para uns, erradas para outros.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, disse: “A presidenta vai dialogar com os trabalhadores, com a sociedade brasileira, pelas redes sociais. É uma forma de valorizarmos outros meios de comunicação”.

Tecnicamente, digamos, nos momentos em que um governo está mal avaliado nas pesquisas de opinião, o governante entrar em rede de TV aberta costuma fazer aumentar a rejeição, a menos que tivesse medidas muito boas para anunciar, o que não é o caso no atual momento. Sob este ponto de vista, a decisão estaria correta. Os governadores tucanos, por exemplo, costumam submergir no noticiário quando há crises em seus estados.
Dilma falou em rede de TV pela ú
ltima vez no Dia Internacional da Mulher, 8 de março. No pronunciamento, usou a maior parte do tempo para explicar ao cidadão o ajuste fiscal e o momento econômico. Guardadas as devidas proporções e gigantescas diferenças de conjuntura, foi um discurso meio que para pedir "sangue, suor e lágrimas" feito por Winston Churchill quando o Reino Unido, do qual era o primeiro-ministro, entrou na Segunda Guerra Mundial. No caso da fala de Dilma, o falar "olho no olho" não surtiu efeito para reverter a má avaliação do governo.
Outra parte do último pronunciamento foi dedicada a anunciar medidas de combate à corrupção, aparentemente visando esvaziar os protestos que já estavam agendados para o domingo seguinte, 16 de março, e que foram organizados via redes sociais por grupos radicais que querem a volta da ditadura e o impeachment.

Durante o pronunciamento houve panelaços e buzinaços também organizados nas redes sociais pelos mesmos grupos, que fizeram muito barulho em determinados bairros de São Paulo, mas com pouca adesão em outras cidades.

Pronunciamento em cadeia nacional não é voltado para conter "paneleiros", e sim para passar a mensagem do governo à maioria silenciosa que assiste e não bate panelas. Mas o problema é que nos noticiários só deu panelaço dominando a pauta, inclusive nos dias seguintes, mesmo que o bater das panelas tenha sido pífio fora da capital paulista.

Esta ênfase do noticiário apenas nas reações negativas, ignorando o conteúdo do discurso, acabou se sobrepondo à mensagem da presidenta à maioria silenciosa que votou nela e também à parcela da população que não votou, mas respeita o resultado das urnas.
Aquele pronunciamento também não funcionou para esvaziar a manifestação do dia 15. Há até quem avalie que o pronunciamento de Dilma do dia 8 até motivou mais gente a participar dos protestos da turma conservadora da semana seguinte.

Por outro ponto de vista, há entre os apoiadores de Dilma quem considere errado não ir à TV, como se fosse um recuo político, um medo de enfrentamento e uma quebra da tradição. É compreensível esse sentimento, mas analisando com profundidade, medo é uma palavra que não cabe à presidenta, e não pode ser confundido com cautela.

Dilma já está reeleita e não tem mais nenhuma eleição pela frente, por isso, nem há o que temer. Seu compromisso é com as transformações históricas que seu governo deixará para sua base eleitoral de trabalhadores e da população mais pobre, e com seu grupo político para não perder o bonde da história na conclusão deste projeto nacional de desenvolvimento humano e econômico. Decisões como ir ou não à TV devem atender ao que é bom para o cumprimento destes compromissos. E na conjuntura atual, ir à TV é o mesmo que dar munição justamente à quem se opõe ao projeto de nação que vem se implantando desde 2003.

Além disso, mesmo com a quebra da tradição, Dilma pode marcar um tento, inclusive na politização do cidadão. Sem ter medidas muito boas ou extremamente necessárias para anunciar, para a maioria das pessoas não é agradável um governante, por mais popular que seja, "entrar na casa" e interromper sua hora de lazer, para fazer discursos apenas protocolares. No século 21, o cidadão pode escolher buscar informação sobre seu governo na hora que quiser pela internet. Muita gente pode ver com simpatia a atitude da presidenta.

Além disso, se a batalha da comunicação não é travada com intensidade no dia a dia das pautas dos noticiários, não é um pronunciamento que irá resolver. Pelo contrário irá agravar. Diga o que disser no pronunciamento, os telejornais, hegemonicamente oposicionistas, sempre pautarão suas coberturas sob um viés negativo.

Colocando tudo na balança, a decisão é positiva. Mais importante são as ações, gestos e atitude do governo em benefício do trabalhador neste 1º de Maio.




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