BLOG CARLOS RIBEIRO

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Notícia triste para a Arte!!! ‘Samba’, de Di Cavalcanti, é destruída em incêndio em Copacabana

Obra era o principal item da coleção do marchand Jean Boghici



Em seu apartamento duplex, Jean Boghici reuniu obras de Modigliani, Lucio Fontana, Rodin, Alexander Calder e dos brasileiros Guignard, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Antonio Dias, entre outros


RIO - Uma das mais importantes obras da história da arte brasileira e principal item da coleção de Jean Boghici, a pintura “Samba” (1925), de Di Cavalcanti, foi destruída no incêndio. O colecionador adquiriu a obra numa loja de móveis da rua Barata Ribeiro, nos anos 1960. Ele encontrou a tela dentro de um lote de obras de Di Cavalcanti. Com os sócios da galeria Relevo, que manteve de 1961 a 1969, comprou todas as pinturas.

— Jean sempre foi um "achador" de coisas fabuloso — conta o colecionador Afonso Costa, amigo de Boghici. — Ele comprou uns painéis enormes do Guignard, que estavam no antigo hotel Riviera, em Copacabana. Teve um olho de comprar muita coisa. Lamento muito que um acervo dessa qualidade e importância possa ter virado pó.

Segundo amigos do colecionador, "Samba", uma das mais importantes obras de Di, pode ser avaliada em mais de US$ 10 milhões.

Pioneiro no mercado da arte no país, o marchand começou a comprar obras nos anos 1960, quando abriu a galeria Relevo (fechada em 1969). Na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Duvivier, o espaço investiu em artistas que já tinham galeria, adquirindo obras de Alfredo Volpi, Di Cavalcanti, Pancetti e Guignard, mas também apostou nos novos nomes de então, como Antonio Dias, Rubens Gerchman e Wanda Pimentel. A galeria foi cenário de importantes exposições, como a coletiva da Escola de Paris, em 1964, que mais tarde deu origem à histórica mostra “Opinião 65”, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio.

Desde então, Boghici já unia duas funções: colecionador e marchand. Ele influenciou os mais importantes colecionadores do país, como Sérgio Fadel, Luiz Antonio de Almeida Braga e Gilberto Chateaubriand — este, lembram os amigos, costuma dizer que Boghici é “pai” de sua coleção.

O apartamento duplex na Rua Barata Ribeiro, onde o colecionador vive com a mulher, Geneviève, guardava os tesouros de seu acervo, que também ocupa parte da galeria que leva seu nome, em Ipanema. Sua coleção, que inclui telas viscerais de Antonio Dias dos anos 1960, é considerada uma das mais importantes do século XX no país. Seu acervo de pinturas internacionais também tem nomes de destaque, como Lucio Fontana e Modigliani. Ele possui ainda móbiles de Alexander Calder e obras de Rodin.

Planos para museu no porto

Organizador da exposição inaugural do Museu de Arte do Rio, o MAR, na Zona Portuária, Leonel Kaz usaria 180 obras da coleção de Boghici para preencher o terceiro andar da instituição, cuja inauguração está prevista para setembro. Um catálogo com 250 páginas e imagens do acervo do colecionador será publicado pela editora Aprazível na ocasião da mostra.

— É uma realidade dramática, mas posso afirmar: se esse incêndio tiver grandes proporções, a arte brasileira terá sofrido golpe tão ou maior do que aquele vivido no incêndio do MAM — diz Leonel Kaz, referindo-se ao acidente no museu carioca nos anos 1970, que deteriorou boa parte do acervo da instituição.

Boghici foi namorado de Lygia Clark, e, em textos, ela credita a ele a ideia de usar dobradiças em seus célebres “bichos”. Foram elas que fizeram as obras serem maleáveis. Nascido na Romênia em 1928, Boghici, que estudou engenharia, mudou-se para Paris, onde dividiu apartamento com o secretário do escultor romeno Constantin Brancusi, outro expoente da história da arte.

Em 1949, Boghici veio para o Brasil, dormiu algumas noites na Praia de Copacabana até ir para Belo Horizonte, onde conheceu o artista Guignard (1896-1962). Dele, Boghici possui obras fundamentais como “Floresta tropical” (1938). O colecionador e marchand é dono ainda de “Sol poente” (1929), de Tarsila do Amaral.

— Jean é de uma importância incrível para a arte brasileira. Sempre generoso e parceiro das instituições. Se o acervo foi danificado, é uma perda inestimável, pois se trata de um dos mais importantes e expressivos do país — diz Carlos Alberto Gouvêa Chetaubriand, presidente do MAM e filho do Gilberto Chateubriand.

Fonte: Globo/Cultura

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