BLOG CARLOS RIBEIRO

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

TRÍDUO DE MEDITAÇÃO DA SEMANA SANTA
Lavapés - painel da Capela do Santíssimo da Basílica de Nossa Senhora Aparecida - Aparecida do Norte - São Paulo - Brasil

Viver o Serviço no Amor

Hoje, Quinta-feira Santa, devemos nos colocar diante de Jesus e refletir: Como posso viver minha vocação de servo de Deus colocando-me a serviço da comunidade e das famílias no Amor?

A vocação de servo de Deus é uma vocação ao serviço. Todo aquele ou aquela que se sente chamado ao ministério de servir à Deus, só responderá SIM ao seu chamado na medida em que se colocar a serviço da comunidade para torná-la uma comunidade evangelizada.

Mas essa atuação não deve lhe conceder nenhum status, nenhum poder dentro da comunidade, ao contrário, assim como Jesus curvou-se diante de seus discípulos para lavar-lhes os pés, numa atitude de humildade e de amor, assim também nós devemos nos curvar diante das pessoas para educá-las na fé (lavar-lhes os pés) cientes de que não somos donos da verdade e nem sabemos mais que os outros (atitude de humildade), mas que também devemos nos deixar educar pela sabedoria divina que brota em seus corações (atitude de amor).


O que nos diz o Evangelho de Jesus (Jo 13, 1-15)
 
1. Jesus sente que sua hora chegou, as perseguições que vem sofrendo lhe mostram que será vítima da arrogância, da prepotência e da sede de poder dos chefes do Sinédrio (centro do poder judaico). Mas diante dessa realidade Ele pensa nos seus discípulos, aqueles que confiaram nele e o seguiram. (Jo 13,1)



2. Jesus reúne seus apóstolos para fazer a última ceia pascal com eles. Essa ceia era uma celebração importante, pois relembrava a liberdade do povo judeu, concedida por Deus no Egito. Assim, Jesus estava demonstrando que novamente Deus agia no meio do povo, trazendo-lhes a libertação plena. Se no Egito foram libertados da escravidão do Faraó, agora seriam libertados da escravidão do pecado que gera divisões e que marginaliza e oprime as pessoas. (Jo 13,2-4)

3. Jesus se abaixa diante dos apóstolos para lavar-lhes os pés (atitude do escravo chamado para acolher os amigos do dono da casa, demonstrando o apreço deste). Mas Jesus é, Ele mesmo, o Senhor. Sua atitude de tamanha humildade desconcerta os apóstolos. Um Senhor jamais deveria curvar-se diante de outras pessoas, menos ainda lavar-lhes os pés numa atitude de total despojamento. Jesus, no entanto, faz isso com tanto carinho, uma atitude de amor. (Jo 13,5)

4. Pedro é o líder dos apóstolos, um discípulo que até então havia sido muito fiel a Jesus e que reconhecera em Jesus o Messias, enviado de Deus. Pedro não pode admitir que Jesus lhe lave os pés como se fosse um escravo, não compreende a atitude de Jesus, não aceita tamanha humildade no Senhor. Ele ainda não compreendeu a missão de Jesus e consequentemente a missão que eles estavam assumindo ao segui-lo. Assim como Pedro, também Judas não compreendera e por isso acabara traindo Jesus. (Jo 13, 6-11)

5. Ao terminar seu trabalho, Jesus volta à mesa e novamente assume o seu lugar. Ele é o Senhor. Seu gesto não o diminuiu em nada. Diante da perplexidade dos apóstolos, Ele lhes diz que assim como Ele fez também seus discípulos devem fazer. Ele o fez por amor e por amor esse gesto deve ser repetido por todos os seus seguidores, numa atitude de acolhimento mútuo, de reconhecimento da dignidade de todos, sem qualquer discriminação. Jesus não excluiu ninguém do seu acolhimento, nem mesmo aquele o trairia. Não escolheu os melhores, os bons ou os santos, simplesmente lavou os pés de todos com o mesmo amor. Deu o exemplo para que fosse seguido até o fim dos tempos, para que com essa atitude possamos construir o Reino onde Deus será o único Senhor (Jo 13, 12-15)

O que devemos nos perguntar:
 
1. Diante dos desafios do chamado a sermos servo de Deus, pensamos na nossa comunidade e nas famílias, crianças e adolescentes, que necessitam de nós para alcançarem a maturidade na fé?

2. Participamos da vida da comunidade, celebrando todos os momentos importantes que são sinais do Reino acontecendo cotidianamente nesse meio?

3. Colocamo-nos a serviço da evangelização com amor, com humildade e com disponibilidade, sem qualquer desejo de recompensa e de reconhecimento, sem qualquer desejo de poder?

4. Compreendemos a atitude de Jesus e procuramos aceitar não apenas o que Ele fez, mas principalmente o que devemos fazer diante da comunidade para demonstrar o Amor que deve mover os nossos corações ao encontro do outro, para sermos fiéis a Jesus?


5. Deixamos a comunidade perplexa diante da nossa disponibilidade e da nossa atitude sempre humilde e amorosa para com todos, dispostos a sair do conforto do nosso lugar para acolher e ajudar mesmo aqueles que não agem como cristãos ou que escolhem outros caminhos para seguir?

Nossa resposta a Deus:

Deus enviou seu Filho Jesus para que Ele pudesse nos mostrar como o ser humano deve viver para que o mundo seja de fato o Reino de Deus. Cada um de nós tem uma missão na construção desse Reino. Jesus anunciou com sua vida, gestos e atitudes que essa construção só terá êxito se cada um assumir o Amor e o Serviço como instrumento essencial nessa construção. A resposta deve ser, em primeiro lugar pessoal, mas também deve ser uma resposta comunitária, para que a exemplo da comunidade descrita por Lucas, em Atos dos Apóstolos, a vida cristã se torne visível e atraente para outras pessoas. Portanto, diante das suas respostas ao Evangelho de Jesus, veja o que você pode dizer a Deus para que seu SIM à vocação de servo e cristão seja autêntico.

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